Faz umas 3 ou 4 semanas, recebi um email de um leitor do site dizendo que o havia encontrado enquanto buscava dicas de SEO para o seu trabalho atual – que, salvo engano, é com desenvolvimento web. Ele me parabenizou pelo site, pelos conteúdos, etc. (o que me deixou muito feliz e agradecido) e questionou o porquê de eu não atualizá-lo com mais frequência. Expliquei que eu estava com muito trabalho – ainda bem! – e por conta disso tinha dificuldades, mas que pretendia retomar o site o mais breve possível. Pois bem, depois de algumas pendências de trabalho resolvidas e alguns ajustes de comportamento – mais precisamente, disciplina – consegui voltar a escrever e espero continuar a fazê-lo de forma mais assídua.
Esse leitor disse que o motivo de ele escrever foi por estar desiludido com a área que cursa atualmente (mais tecnológica) e por pretender buscar novos rumos de trabalho – entre eles, a comunicação, mais precisamente a comunicação web. Os interesses atuais dele, explicitados no email, são: jornalismo, publicidade ou marketing, redação e mídias sociais. Tchan-tchan-tchan-tchan… Tudo o que tratamos aqui e, também, tudo aquilo em que eu trabalho diariamente.
Ora, se tem gente em busca disso a ponto de enviar um email para um desconhecido, solicitando ajuda e deixando claro que o trabalho dele (falo deste site) é de alguma forma relevante, quem sou eu para negar, não é mesmo?
O que este leitor nos pediu foi que escrevêssemos um artigo sobre mudança de área, focando ambos os lados da moeda: sair do que se faz atualmente e começar em marketing, jornalismo e similares ou vice-versa. Bom, o que posso fazer é falar do caminho rumo à comunicação, que foi o que eu trilhei. E farei de uma forma simples, em tópicos de prós e contras com um breve resumo da ópera. Portando, como diria o Chapolin Colorado, sigam-me os bons!
Resumo da história: entrei primeiro para a faculdade de Educação Física, numa universidade federal, e me mantive nela por muito mais tempo do que devia, por conta de não ter certeza ainda do que queria da vida (entramos na faculdade muito jovens, creio), porque não queria decepcionar minha família desistindo no meio do curso (mal sabia eu que eles me apoiariam em qualquer circunstância) e também por um pouco de medo de arriscar uma mudança radical. Enfim, meus medos não foram maiores que a desilusão com o curso e, no fim das contas, joguei tudo para o ar, fiz cursinho novamente e entrei para a faculdade de Jornalismo – sem dúvida a melhor coisa que fiz em toda a minha vida.
Trabalhei por 3 anos com o jornalismo, digamos, tradicional: em revistas, jornais e assessorias de imprensa. Até que fiquei desempregado. Um ano desempregado. Um belo dia, com a água batendo na bunda, decidi arriscar e fui para internet. Pensei eu: “o mundo todo está na internet; ela é pura comunicação e mídia; então, não é possível que eu não arranje trabalho na rede”. Dito e feito. Encontrei alguns sites de freela, inscrevi-me em 48 horas tinha trabalho novamente. Agora, tudo são flores? Não. E veremos os porquês.
Prós da comunicação web
Vasto mercado de trabalho
Como dissemos anteriormente, o mundo está na internet. E, consequentemente, todas as empresas, possíveis clientes, leitores, curiosos, espectadores, etc.
Mecanismos de divulgação facilitados e de grande alcance
Redes Sociais, Google, Email, canais de divulgação de diferentes mídias, como blogs, Youtube, SoundCloud, são ferramentas que, décadas atrás, somente grandes conglomerados de comunicação tinham acesso. Hoje em dia, monta-se um estúdio em casa com ninharia.
Ferramentas à sua mão
Precisa de um programa de edição de texto? Tem na rede. Edição de fotos? Tem na rede. Edição de audiovisual? Tem na rede. Edição de logomarcas? Tem na rede. Tudo está na internet e, o melhor: de graça. Salvo raras exceções, de produtos de altíssima qualidade, todos os programas são acessíveis gratuitamente. Aí, é só mexer e ir aprendendo no processo.
Material para pesquisa inesgotável e à mão
Falar o que do Google? Atualmente, um artigo pode ser produzido basicamente de casa. Tem-se as fotos em bancos de imagem (vai custar um pouquinho, mas nada assustador), acha-se o conteúdo pesquisando em revistas e jornais eletrônicos, bibliotecas online e pode-se entrevistar alguém por email ou, melhor ainda, num bate-papo via Skype.
Custo de trabalho baixíssimo
Tirando a compra do computador, o gasto com internet e luz, praticamente não se gasta com mais nada trabalhando via web.
Possibilidade de construção de network
Participar de fóruns, blogs e redes sociais específicas amplia o leque de conhecimento, de contatos e ainda pode lhe render futuros trabalhos.
Acesso instantâneo às novidades
Com leitores de feeds e acessando os canais certos e mais relevantes na sua área de atuação, pode-se se saber o que acontece no Japão em tempo real.
Amplo leque de oportunidades – para a especialização e para a abrangência
Trabalhar na internet permite que você se aprofunde num tema, como SEO, por exemplo, ou que tenha de trabalhar com diversas mídias e talentos distintos simultaneamente. Aí vai do perfil de cada um. No meu caso, sou jornalista e a minha vocação principal é a escrita (visite o Blog do Beto e leia minhas crônicas); contudo, além da escrita de artigos e matérias jornalísticas, aprendi ao longo do último ano a fazer banners, logomarcas, identidade visual, front end, aprofundei-me em SEO e ferramentas Google, ferramentas de Facebook e convergência de Redes Sociais, sou editor de áudio, editor, criador e apresentador de podcast, edito imagens e, se precisar, visto a camisa 11 vou pra ponta esquerda fazer lançamentos.
Possibilidade de se trabalhar remotamente
Outra coisa que depende de perfil. Trabalhar como freela, de casa, longe do empregador ou contratante pode não ser algo fácil a todos. Porém, se você se adaptar, o simples fato de não precisar levantar mais cedo para enfrentar o trânsito caótico das grandes cidades já vale a pena. Sem falar que, mesmo morando em Gurupi, no Tocantins, você pode atender um cliente em São Paulo. Basta ter os predicados para realizar o trabalho pedido.
Ser “dono” do seu trabalho
Você pode montar o seu negócio e não ter de dar satisfação a superiores – a não ser o seu cliente. Este site já me rendeu, mesmo não estando sempre atualizado, cinco contatos de trabalho nos últimos 9 meses. Imagina com dedicação exclusiva a ele.
Contras da comunicação na web
Quase todos os contras estão diretamente ligados aos fatores prós
Grande concorrência
Como é um trabalho acessível e, aparentemente, fácil, todos estão indo nesta direção. A questão aqui é: todos são dedicados, estudam para melhorar e são profissionais a ponto de se manterem atuando a médio e longo prazo? Pergunte-se onde você se encaixa.
Concorrência grande, altos custos em divulgação
Se o assunto em que você trabalha tem muita concorrência, pode ser que tenha de gastar mais para se destacar de início. Mas, lembre-se, marketing, seja do seu cliente, seja o seu pessoal é algo que será sempre necessário. Não é à toa que a Coca-Cola é a empresa que mais investe em marketing e propaganda no mundo.
Fonte inesgotável de pesquisa… e a qualidade?
Use como fonte sites confiáveis. Não caia na bobagem de ter como fonte o primeiro blog que lhe atravessa à frente. Busque referências antes de dar crédito a quem não merece.
Valores muito baixos no início
Para entrar no mercado de redação web, por exemplo, talvez você acabe fazendo trabalhos quase escravos. Já vi gente oferecendo R$ 2 (dois) por artigo de 300 palavras. Uma piada. Aí fica o dilema: pegar para ter currículo e começar na profissão ou negar para se valorizar? Não serei puritano e deixarei a cargo de cada um decidir. Eu mesmo aceitei valores bem baixos no início (cerca de R$ 8 a 10 por artigo); porém, a quantidade de textos valia a pena e no final dava uma grana boa. O problema é que você pode acabar gastando tudo em fisioterapeuta, já que a demanda de trabalho não compensa o lucro.
Bom, pessoal, eu teria mais coisas a falar, mas este artigo já está muito maior do que eu previa. Prometo ser mai enxuto nos próximos e, mais, prometo uma assiduidade para que o site ganhe vida novamente.
Valeu!
Beto







